Sumário Cronológico da Vida de Friedrich Nietzsche
abr 26, 2026 | Blog, Filosofia, Friedrich Nietzsche
Friedrich Wilhelm Nietzsche
SUMÁRIO CRONOLÓGICO DA SUA VIDA
Do livro: ECCE HOMO – Como alguém se torna o que é.
1844
15 de outubro: Friedrich Wilhelm Nietzsche nasce em Röcken, na Saxônia. Seu pai, Karl Ludwig Nietzsche, é o pastor do lugar. Tanto ele como a esposa, Franziska, são filhos de pastores luteranos.
1846
10 de julho: nasce a irmã Elisabeth.
1848
Em fevereiro, nasce o irmão Joseph, que viveria somente dois anos. Preocupação do pai com os acontecimentos políticos (revolução de 1848). Grave doença dele.
1849
Em julho, morte do pai aos 36 anos; segundo o diagnóstico da época, por “amolecimento do cérebro”.
1850
A família — o garoto, a mãe, a irmã, a avó paterna e duas tias — muda-se para Naumburg, na Turíngia.
1851
Começa a freqüentar uma escola preparatória para o ginásio. A mãe lhe dá um piano. Primeiras aulas de música.
1854
Entra para o ginásio de Naumburg. Primeiros ensaios com a poesia. Paixão pela música. Fortemente impressionado pelo Messias de Haendel.
1856
Poemas e composições musicais. Tem licença da escola durante o verão, devido a dores de cabeça e dores nos olhos.
1858
É admitido na Escola de Pforta, um prestigioso internato de educação clássica. Precisa usar óculos de lentes grossas, para miopia. Primeiro escrito autobiográfico: “Da minha vida”.
1860
Forma, com dois amigos, uma sociedade literária e musical, a “Germânia”, para estimular as produções individuais. Leituras escolares: Homero, Lívio, Cícero.
1861
Confirmação na fé protestante. Primeiros desentendimentos com a mãe acerca da religião. Trava conhecimento com a música de Wagner. Mas Schumann é o compositor favorito, e Hoelderlin o poeta. Leituras: Homero, Tucídides, Virgílio, Salústio.
1862
Março: apresenta à “Germânia” uma dissertação sobre “Fado e história” [Fatum und Geschichte], que já prenuncia os temas e as inquietações de seu pensamento adulto. Leituras: Emerson, Maquiavel, Horácio.
1863
Fim da “Germânia”: somente ele ainda produzia trabalhos. Preocupações sobre a escolha da profissão. Leituras dos líricos gregos.
1864
Trabalho escolar sobre Sófocles, Édipo rei. Dissertação final sobre Teógnis. Matricula-se na Universidade de Bonn como estudante de teologia.
1865
Decide não mais compor. Visita Colônia. Sérios desentendimentos com a mãe; abandona a teologia. Resolve se transferir para Leipzig e estudar filologia clássica com Ritschl. Descoberta de Schopenhauer. Continua a compor.
1866
Conferência sobre Teógnis na Sociedade Filológica. Seu mestre Ritschl afirma jamais ter lido algo semelhante de um aluno. Lê a História do materialismo, de F. A. Lange. Amizade com Erwin Rohde.
1867
Primeira publicação, numa revista de filologia. Pensa em escrever uma história crítica da literatura grega. Sua pesquisa sobre as fontes de Diógenes Laércio é premiada. “Agora caem-me os antolhos, e vejo que durante muito tempo vivi em estado de inocência estilística. O imperativo categórico, ‘deves e tens que escrever’, me despertou” (carta ao amigo Carl von Gersdorff, 6/4/67). Em outubro, começa a cumprir um ano de serviço militar.
1868
Trabalhos filológicos publicados. Estudos de Demócrito e Kant. Em março, acidente ao montar cavalo, com séria ferida no peito. Crescente interesse pela filosofia: “Falando mitologicamente, vejo a filologia como um aborto da deusa filosofia” (ao amigo Paul Deussen, outubro de 1868). Novembro: conhece Richard Wagner.
1869
Por recomendação de Ritschl, é chamado para a cadeira de filologia clássica da Universidade da Basiléia, na Suíça. A Universidade de Leipzig concede-lhe o doutorado, sem tese nem exames. Em maio, primeira visita a Richard e Cosima Wagner, em Tribschen, perto de Lucerna. Fim de maio: aula inaugural na Basiléia, sobre “Homero e a filologia clássica”. Conhece o historiador Jacob Burckhardt, também professor na Universidade. “Ciência, arte e filosofia crescem tão juntas em mim, que um dia parirei centauros” (a Erwin Rohde, abril de 1870).
1870
Palestras sobre “O drama musical grego” e “Sócrates e a tragédia”. Amizade com o teólogo Franz Overbeck, recém-chegado à Basiléia. Em agosto, tem licença para participar da guerra franco-prussiana, como enfermeiro. Adoece gravemente e volta à Basiléia. Passa o Natal com os Wagner.
1871
Candidata-se — sem sucesso — à cadeira de filosofia da Universidade. Sofre da saúde; obtém férias para se tratar. Escreve O nascimento da tragédia. Visita Wagner freqüentemente em Tribschen.
1872
Publicação de O nascimento da tragédia [a partir] do espírito da música (janeiro). Palestras “Sobre o futuro de nossas instituições de ensino”. Preleções sobre os filósofos pré-platônicos. Controvérsia em torno do Nascimento da tragédia: reação negativa do mundo acadêmico; Rohde e Wagner defendem Nietzsche em artigos. Em abril: os Wagner deixam a Suíça, vão para Bayreuth. Durante três anos Nietzsche visitou-os — foi seu hóspede — 23 vezes. “Pois o que seríamos nós, se não o tivéssemos, e o que seria eu, por exemplo, senão… um ser nascido morto!” (carta a Wagner, 20/5/73). Maio: vai a Bayreuth para a solenidade da pedra fundamental do teatro; conhece Malwida von Meysenbug. Escreve o primeiro dos “Cinco prefácios a cinco livros não escritos”, intitulado “Sobre o pathos da verdade”.
1873
Escreve e publica a primeira das Considerações extemporâneas, “David Strauss, o crente e o escritor”. Sofre de cefaléias e problemas com a visão. A partir deste ano estará sempre doente. Março: anotações sobre “a filosofia na época trágica dos gregos”. Leitura de tratados de química e física. Junho: proibido de ler e escrever por ordem médica (olhos), dita o ensaio “Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral”. Outubro-dezembro: segunda Extemporânea, “Utilidade e desvantagem da história para a vida”. Conhece Paul Rée. Publicação do livro de Overbeck Sobre a cristicidade [Christlichkeit] de nossa teologia atual.
1874
A segunda Extemporânea é publicada. Compõe um Hino à amizade. Revisa as composições da juventude. “Para mim será sempre extraordinário como se manifesta na música a imutabilidade do caráter: o que o menino nela expressa é tão claramente a linguagem da essência de sua natureza, que também o homem nada deseja ver mudado…” (a Malwida von Meysenbug, 2/1/75). Redação e publicação da terceira Extemporânea, “Schopenhauer como educador”. A irmã passa longas temporadas com ele.
1875
“Agora gostaria, falando confidencialmente, de ter em breve uma boa mulher…” (a Malwida, 25/10/75). Em novembro, o jovem músico Heinrich Koeselitz procura-o na Basiléia, dizendo ser seu admirador (ele ficaria conhecido pelo pseudônimo artístico que Nietzsche lhe deu mais tarde, Peter Gast). Redação da quarta Extemporânea, “Richard Wagner em Bayreuth”. Crise de saúde no final do ano: passa semanas prostrado.
1876
Tem licença prolongada da Universidade, para cuidar da saúde. Propõe casamento a uma certa Mathilde Trampedach, em Genebra, e é recusado. A quarta Extemporânea é publicada, por injunção de Peter Gast. Em agosto, o primeiro dos festivais de Bayreuth. Nietzsche assiste apenas a uma parte; retorna à Basiléia. Afastamento de Wagner. Em outubro, vai para Sorrento, Itália, com Paul Rée, Malwida von Meysenbug e outro amigo. Durante seis meses, formam uma “família” de pensadores. Durante este ano e o seguinte, anotações que se transformariam em Humano, demasiado humano. Em Sorrento, último encontro com Wagner. “Cada vez mais olho para os filósofos gregos como modelos para o modo de vida a ser alcançado” (a Gersdorff, 26/5/76).
1877
Volta para a Basiléia no outono e retoma as aulas. A irmã torna a cuidar de sua casa; também Peter Gast mora com ele e lhe serve de secretário. Publicação do livro de Rée A origem dos sentimentos morais.
1878
Peter Gast muda-se para Veneza. Em maio, publicação de Humano, demasiado humano. “Nele exteriorizei minhas mais íntimas impressões sobre os homens e as coisas, e pela primeira vez tracei os contornos do meu próprio pensamento” (a Wagner, ao enviar-lhe o volume). O livro é mal recebido pelos Wagner: atribuem o seu “novo modo de pensar” à influência do judeu Paul Rée. Wagner publica um ataque a Nietzsche, sem mencionar seu nome. Mas para Jacob Burckhardt trata-se de “um livro soberano”.
1879
Publica “Opiniões e sentenças variadas”, continuação de Humano, demasiado humano. O estado de saúde piora ainda mais. Abandona a Universidade, passa a receber uma pensão anual. Em junho, deixa definitivamente a Basiléia, após dez anos como professor. Viverá os dez anos seguintes como filósofo errante. Parte inicialmente para St. Moritz, onde escreve “O andarilho e sua sombra”. Passa o inverno com a mãe e a irmã em Naumburg. Durante esse ano, esteve incapacitado por 118 dias.
1880
“Minha existência é um fardo terrível: há muito teria me livrado dele, se não fizesse os mais esclarecedores experimentos, no campo moral-espiritual, precisamente nesse estado de sofrimento e quase absoluta renúncia” (ao médico Otto Eisler, início de 80). Publica “O andarilho e sua sombra”, segunda continuação de Humano, demasiado humano. Visita Peter Gast em Veneza; dita para ele muitos dos aforismos que formariam Aurora. Lê Stifter e Stendhal. “Vivo como se os séculos nada fossem, e persigo meus pensamentos, sem me preocupar com o dia ou com os jornais” (a Overbeck, novembro de 80).
1881
Publica Aurora em junho. O título é de Gast, da citação indiana que sugeriu como epígrafe: “Há tantas auroras que não brilharam ainda” (Rig Veda). Vai à localidade de Sils-Maria, na Alta Engadina, Suíça. Desce para o sul no inverno: Gênova. A partir de então, passará quase sempre o verão nas montanhas, em Sils Maria, e o inverno junto ao mar, na Riviera francesa e italiana. Primeiros sinais de Zaratustra: “Em meu horizonte surgiram pensamentos como jamais vi semelhantes […] Tenho que viver alguns anos ainda! […] As intensidades do meu sentir fazem-me rir e tremer […] Em minhas andanças […] chorava muito, não lágrimas sentimentais, mas lágrimas de júbilo; cantava e falava absurdos, pleno de uma nova visão que possuo adiante de todos os homens” (a Peter Gast, 14/8/81). “Nelas [nas próprias obras] há algo que sempre ofende o meu pudor: são reflexos de um ser sofredor, imperfeito, que mal dispõe dos órgãos mais necessários — eu com freqüência me vejo como o rabisco que um poder desconhecido traça no papel, experimentando uma nova pena” (também a Gast, fim de agosto de 81).
1882
A gaia ciência publicado em agosto. Em abril, vai para a Sicília, depois para Roma, onde Paul Rée apresenta-lhe Lou Salomé. Nietzsche se apaixona, quer fazer dela sua discípula e companheira; propõe-lhe casamento, é recusado. Ele e Rée rivalizam no amor a Salomé, que só deseja amizade. Viajam juntos: forma-se um “ménage à trois platônico” (expressão de R. J. Hollingdale). A irmã de Nietzsche intervém, com intrigas e falso moralismo. Ele age mal para com Salomé e Rée, é por eles abandonado, briga seriamente com a mãe e a irmã. Ao final do episódio, em novembro, está física e emocionalmente exausto, à beira do suicídio. Sobre o seu sofrimento: “Se não invento a alquimia de transformar esta imundície em ouro, estou perdido” (a Overbeck, 25/12/82).
1883
Fevereiro: escreve a primeira parte de Assim falou Zaratustra. Richard Wagner morre em Veneza, aos 69 anos. “Wagner foi, de longe, o homem mais pleno que conheci” (a Overbeck, 22/2/83). Escreve a segunda parte do Zaratustra no verão; publica as duas. “Cada palavra do meu Zaratustra é um sarcasmo triunfal e mais que um sarcasmo sobre os ideais desta época” (à irmã, fim de agosto de 83). “O curioso perigo deste verão é para mim — para não fugir à palavra feia — a loucura” (a Gast, 26/8/83).
1884
Janeiro: Zaratustra, terceira parte. “Quero levar a humanidade a resoluções que decidirão sobre todo o futuro humano, e pode acontecer que um dia milênios inteiros façam em meu nome seus votos mais elevados” (a Malwida von Meysenbug, de Veneza, 21/5/84). Em agosto, recebe a visita de Heinrich von Stein em Sils-Maria. Visita Gottfried Keller em Zurique (para ele, o maior escritor vivo de língua alemã).
1885
Zaratustra, quarta parte — impressa em pequena edição privada. Em maio: a irmã se casa, para seu desgosto, com um líder anti-semita, Bernhard Förster. Os dois viajam para a América do Sul no início de 1886, para fundar uma colônia alemã (ariana) no Paraguai.
1886
Escreve, e publica às próprias custas, a sua obra central: Além do bem e do mal. Prelúdio a uma filosofia do futuro (agosto). Escreve prefácios para novas edições das obras anteriores; “são talvez a melhor prosa que escrevi até agora” (a Overbeck, 14/11/86). Planeja uma summa philosophica que se chamaria A vontade de poder. “No momento falta-me in puncto musicae uma estética, quero dizer: eu tenho um ‘gosto’, mas nenhum motivo, nenhuma lógica, nenhum imperativo para esse gosto. Mesmo psicologicamente verificado, o problema ‘por que me agrada sua música’ parece-me por ora insolúvel. Você mesmo tornou-se-me com isso um enigma, e — curioso! — após alguma reflexão achei problema semelhante com relação à minha própria produção (o ‘Zaratustra’)” (a Peter Gast, 19/11/86).
1887
A genealogia da moral escrito em julho e publicado em novembro. Ouve pela primeira vez a abertura de Tristão e Isolda, de Wagner. “Você conhece Dostoiévski? Com exceção de Stendhal, não conheço ninguém que me tenha produzido tal prazer e tal surpresa: um psicólogo com o qual ‘me entendo’” (a Gast, 13/2/87). “Minha saúde…: há algum profundo entrave psicológico, cuja sede e origem não sou capaz de apontar… — sem qualquer exagero, faz agora um ano em que não houve um dia em que eu me sentisse bem disposto e contente de corpo e de espírito. Essa permanente depressão (dia e também noite) é pior que as crises violentas e tão dolorosas a que estou sujeito com tamanha freqüência” (a Overbeck, 30/6/87). “A contradição de minha existência está em que tudo o que eu, como filósofo radical, necessito de modo radical — estar livre de profissão, de mulher e filhos, de amigos, da sociedade, da pátria, da fé, estar livre quase de amor e ódio — é também o que sinto como outras tantas privações, pois felizmente sou um ser vivo, e não um aparelho de abstrações” (à irmã, julho de 87). “… conheço suficientemente os homens para saber como terá mudado o juízo sobre mim daqui a cinquenta anos, e em que glória e veneração o nome de teu filho brilhará então, graças às mesmas coisas pelas quais fui até agora maltratado e insultado” (à mãe, 18/10/87).
1888
Início da repercussão: em Copenhague, o judeu dinamarquês Georg Brandes faz conferência sobre ele. Na Suíça aparece o primeiro ensaio sobre o conjunto de sua obra. Zaratustra é traduzido para o francês. Escreve e publica O caso Wagner; abandona o projeto de A vontade de poder; planeja uma Tresvaloração de todos os valores; escreve O crepúsculo dos ídolos, O Anticristo e Ecce homo; conclui os Ditirambos de Dionísio; prepara Nietzsche contra Wagner, reunindo trechos de obras anteriores. “Receio ser músico demais para não ser romântico. Sem música, a vida para mim seria um erro” (a Georg Brandes, 27/3/88). No início do ano está em Nice; vai para Turim em abril; última estada em Sils-Maria (junho-setembro); volta para Turim. Manifestações de euforia nas obras e nas cartas. Procura tradutores para seus livros. Correspondência com Strindberg. Sobre este, a Peter Gast: “Interessante como concordamos inteiramente acerca da mulher…”. Última carta à mãe: “Na verdade, teu velho filho é agora um sujeito famoso… Tenho naturezas seletas entre meus admiradores…” (21/12/88).
1889
3 de janeiro: colapso (Zusammenbruch, effondrement) na piazza Carlo Alberto. Nos dias seguintes escreve cartas e bilhetes insensatos a amigos e conhecidos, assinando “Dionísio” ou “O Crucificado”. Overbeck vai a Turim para buscá-lo: “Enxerguei Nietzsche em um canto do sofá… com aparência bastante arruinada; correu até mim e me abraçou fortemente ao me reconhecer, e rompeu em lágrimas; então afundou no sofá em convulsões, e o choque também não me permitiu permanecer em pé” (carta a Gast, 15/1/89). Leva-o para a Basiléia (10 de janeiro), onde é examinado na “clínica de nervos” da Universidade. O diagnóstico é paralisia progressiva de origem sifilítica. A infecção teria ocorrido numa visita a um bordel, quando estudante. (A medicina da época não nos permite, atualmente, ter certeza absoluta quanto ao diagnóstico. Há um alto grau de probabilidade, sobretudo porque a história de seus tormentos, de 1871 até a derrocada final, condiz com o que se sabe da doença. O que não exclui a possibilidade da ação conjunta de outras doenças.) A mãe chega à Basiléia, leva-o para Iena (17 de janeiro), onde é internado na clínica psiquiátrica da Universidade. O dr. Binswanger confirma o caráter irreversível da doença. O crepúsculo dos ídolos é publicado em janeiro; Nietzsche contra Wagner aparece em edição limitada. Os amigos resolvem adiar a publicação de Ecce homo (que só aconteceria em 1908). Em junho, o cunhado suicida-se no Paraguai, devido ao fracasso de sua empresa colonial.
1890
Julius Langbehn, um charlatão místico, conquista a confiança de frau Nietzsche e promete curá-lo. Exige a tutela legal sobre o doente. Papel deplorável de Peter Gast, que também acredita nele. Overbeck intervém e afasta Langbehn. Em maio, Nietzsche passa a viver sob os cuidados da mãe, em Naumburg, na casa de sua infância (volta aos cuidados da mãe). Demência progressiva, os amigos que o visitam referem-se à “ausência do espírito”, à “apatia”. Toca piano quase diariamente.
1893
A irmã retorna do Paraguai. Cresce a literatura sobre Nietzsche. Durante a década, são publicados cerca de quarenta livros sobre ele. Também suas obras vendem cada vez mais. São planejadas edições das obras completas.
1894
A irmã funda um Arquivo Nietzsche, na casa onde moram.
1895
Publicação de O Anticristo e Nietzsche contra Wagner A irmã obtém da mãe, de maneira pouco escrupulosa, os direitos sobre toda a obra (incluindo as milhares de páginas de anotações e rascunhos). Começa a publicar sua biografia do irmão, em vários volumes; nela falsifica cartas, fazendo-o parecer mais próximo dela e de suas convicções anti-semitas. Em Nietzsche, prossegue a dissolução do espírito: Overbeck o visita e não é mais reconhecido.
1896
A irmã transfere o arquivo para Weimar, onde vieram Goethe e Schiller.
1897
Abril: morte da mãe. A irmã leva Nietzsche para Weimar; aloja-o numa grande vila, juntamente com o arquivo.
1900
Morte de Nietzsche, em 25 de agosto. Como causa imediata, uma infecção pulmonar. É sepultado três dias depois em Röcken, o lugarejo natal. Na cerimônia do enterro, Peter Gast diz: “Sagrado seja teu nome para todas as gerações vindouras”.




